Artistas e influenciadores utilizam holdings como estratégia de organização, crescimento e blindagem patrimonial

A expansão empresarial de artistas e influenciadores digitais por meio de empresas conhecidas como holdings evidencia uma tendência crescente entre esse público: a estruturação de negócios sob holdings como estratégia de organização, crescimento e blindagem patrimonial no Brasil. Entre os exemplos mais conhecidos, a Sato Rahal, da apresentadora Sabrina Sato, que tem mais de dez empresas no portfólio. Além disso, a influenciadora Virgínia já contou em diversas entrevistas que é sua holding que administra seus bens, como jatinho particular, entre outros. 

“Esse movimento reflete um fenômeno mais amplo: a profissionalização da imagem e dos ativos intangíveis de celebridades. Com patrimônio estimado em centenas de milhões de reais e múltiplas fontes de renda, incluindo publicidade, franquias e participação societária, a organização em holding permite centralizar a gestão desses ativos e potencializar resultados”, avalia o advogado Jossan Batistute, sócio do Escritório Batistute Advogados e especialista em questões societárias e patrimoniais. 

Do ponto de vista jurídico, segundo o especialista, a holding também funciona como uma pessoa jurídica criada para concentrar bens e participações societárias. “No contexto da blindagem patrimonial, sua principal vantagem está na separação entre o patrimônio pessoal e o empresarial, reduzindo riscos em caso de dívidas, litígios ou oscilações de mercado. Além disso, holdings são amplamente utilizadas no planejamento sucessório, permitindo a antecipação da herança por meio de quotas e evitando conflitos no inventário”, diz Jossan. 

Uma estrutura como essa pode reduzir custos com inventário, que podem chegar a até 20% do patrimônio, além de permitir maior controle na distribuição de bens em vida, com cláusulas de proteção como incomunicabilidade e impenhorabilidade. “No caso de artistas e influenciadores, uma holding passa a concentrar não apenas bens materiais, mas, também, contratos, marcas e ativos digitais, funcionando como eixo central do legado econômico”, avalia o advogado.

Criação de holding
O processo de criação de uma holding no Brasil segue etapas bem definidas, que passam pelo planejamento patrimonial e definição dos objetivos (sucessão, proteção ou tributação); constituição da empresa, geralmente como sociedade limitada ou sociedade anônima; integralização do capital social com bens e participações; elaboração de contrato social com cláusulas específicas de governança e sucessão; e gestão contínua com apoio contábil e jurídico especializado.

“Esse cenário evidencia que a estratégia adotada por Sabrina Sato e Virgínia ilustra como artistas contemporâneos têm migrado de uma atuação individual para estruturas empresariais complexas. Mais do que uma tendência, a criação de holdings se consolida como ferramenta essencial para proteção patrimonial, organização de negócios e perpetuação de legado na economia criativa brasileira”, complementa Jossan Batistute.

Voltar para Artigos
Compartilhe esse artigo